Lá o mundo tem razão

Lá o mundo tem razão - Margareth Torres

Sou mãe arco íris

Fazia 01 ano de casamento quando descobri que estava gestante pela primeira vez, uma forte emoção tomou conta de toda família, seria o primeiro neto dos dois lados,03 dias depois uma forte dor me levou ao pronto socorro e lá descobrimos que a gestação era tubaria e não podia seguir adiante... fui submetida a uma laparoscopia que preservou minhas trompas e dilacerou meu coração, como um ser tão pequeno em apenas 3 dias tinha tomado conta de tantos sonhos e planos e naquela noite de trevas os vi desmoronar...

Procuramos investigar se algo errado havia e com todos os exames normais fui autorizada a tentar uma nova gestação, então 10 meses depois eu estava gravida pela segunda vez, lembro do tão sonhado positivo, da ultra de confirmação e toda alegria que causou entre meus familiares e amigos, tudo corria bem a barriga já era presente eu já havia perdido a identidade e os amigos já me chamavam de buchuda... na ultra seguinte descobrimos que esperávamos por uma menina a qual demos o nome de Stefany homenageando a avó de meu esposo, as cores rosa e branco já faziam parte do enxoval quando em 26 de junho de 2006 senti uma forte dor e fui novamente levada ao pronto socorro, depois de 2 dias que eu estava em agonia a droga da apêndice inflamou e ela não resistiu a tanta medicação que tomei, aí um silêncio chato que não me deixava ouvir seu coração tomou conta daquela tarde e vi ela nascer... por uns minutos a tive em meus braços, mas não vi seu olhar, não senti sua respiração e sem poder evitar tive que me despedir com o coração despedaçado, chorei vendo meu leite se perder sem poder alimentar, acariciar...
Me coloquei aos pés da cruz e imitando a Maria guardei a minha dor, ergui a cabeça e recomecei...

A dúvida ficou no ar se eu era portadora de IIC (competência istmo cervical) ou se a causa teria sido a apêndice, então refeito todos os exames eu engravidei pela terceira vez, o medo já fazia parte de mim, mais o amor de gerar era mais forte que ele... Mais uma vez teríamos a graça de viver no mundo cor de rosa, entre laços e fitas estávamos esperando Gabriela, tudo corria normalmente até que mais uma vez a forte dor me atacava e desta vez o desespero era visível, eu não acreditava que estava acontecendo exatamente igual, a dor do parto também fazia doer a minha alma e em meio a erros médicos, perca de tempo e esperança ela nasceu...mas com prematuridade extrema depois de 2h05minutos partiu deixando um vazio em meu coração e um sentimento de impotência em minha alma. Fui diagnosticada portadora de IIC e na próxima gestação teria que seguir alguns cuidados especiais.

A vida seguiu e depois de dois anos senti novamente o desejo de gerar, o medo fazia morada em mim, mesmo assim a fé que dessa vez daria certo foi maior, fiz promessas para colocar nome de santo e para nossa surpresa eu estava gerando um menino, com 13 semanas fui submetida a uma cirurgia chamada cerclagem com pontos no colo uterino e repouso absoluto, mudamos para casa de meus pais que prontamente passaram a cuidar de mim novamente...foi um tempo de muitas dores e de muito amor, em uma ultra de rotina descobrimos que eu estava com infartos placentários e fomos as presas para a pronto socorro, meu GO sugeriu que não podíamos mais esperar, então em 21 de Janeiro de 2010 as 7h 48 de uma linda quinta feira ouvi o choro mais lindo desse mundo e pude ter a graça de ser mãe.

Em meio a muitos nãos ,dois anos depois veio mais um positivo que vim a abortar depois de uma colisão com o carro no portão da garagem...ganhei então o livro “As mães de chico Xavier” que me auxiliou no processo de aceitar o que eu não podia mudar, então como eu poderia deixar Francisco sozinho? Ele já estava com 4 anos quando engravidei pela sexta vez, refiz a cirurgia da cerclagem, fiquei em repouso relativo, via ele e o meu esposo apenas nos fins de semana e mais uma vez fui acolhida por meus pais que mesmo com medo pois eu estava colocando a minha vida em risco foram meus anjos... Francisco acompanhou o crescimento e profetizou: será um menino e se chamará Antônio! Para nossa alegria na ultra seguinte lá estava ele sendo formado e aos 27 de dezembro de 2013 em uma linda sexta feira com o coração transbordando de alegria nasceu Antônio no magico tempo do natal. 

No meu corpo eles inscreveram a marca do amor incondicional na mais pura expressão da vida, através do milagre da criação. Eles são meus pequenos pedaços de céu na terra, e eu espero estar sempre, presente nos melhores e nos piores momentos da vida deles.
Quando os meus sonhos vi desmoronar , Ele me deu motivos para recomeçar e num colorido de luzes, cores, fantasias, sonhos e realidades transformaram o meu viver, em um lindo arco íris.

Texto de Margareth Torres